Mestre Marco António

Formatura Marco AntónioChamo-me Marco António Santos Monteiro, nasci na cidade de São Paulo, Brasil, em 02/12/1971 e fui para Recife com um ano de idade, onde morava num bairro na beira-mar chamado Pina. Quando criança, via as manifestações folclóricas e culturais brasileiras na beira-mar, procissões a Iemanjá, desfiles de troças carnavalescas de Frêvo, Bumba meu Boi, Maracatú e outras, e aos fins-de-semana rodas de Capoeira na feira típica do Pina. A atracção pela cultura popular fez com que desde cedo aprendesse sobre a mesma e brincasse nas rodas de capoeira. Aos 13 anos ingressei no grupo Dança Teatro Retornança, grupo que tinha um espectáculo com várias manifestações da cultura Nordestina, Frevo, Maracatú, Côco, Cirânda, Bumba-Meu-Boi, Xaxádo, Forró, Maculelê, Capoeira e outras.

Como forma de me desenvolver e melhorar o meu desempenho no grupo, aproveitava o treino de Capoeira a seguir aos ensaios. Quem puxava os treinos na época era Rivaldo Jacaré, que também era componente do Retornança, e aluno do Mestre Corisco, Fundador do Grupo Chapéu de Couro. Foi uma época muito boa, viajei muito como passista de Frevo (Dança que vem da Capoeira), e, como integrante do grupo, participava de quase todas as coreografias, apesar das minhas preferências serem a Capoeira e o Frêvo.

Anos mais tarde lancei-me à estrada e fui para São Paulo tentar a vida, fiquei surpreendido com toda aquela confusão, e sentia-me muito só estando distante do Nordeste. Foi um período de adaptação muito difícil, mas encontrei na Capoeira um local de refúgio e felicidade,e fui treinar com o Mestre Nelson, do Grupo Ginga Paulista, no SESC Vila Nova, que foi onde conheci meu outro tutor, o Paulo Dionísio (Paulinho), que fundará o Grupo Baraúna. Morei e treinei Capoeira em São Paulo durante uns bons anos, até que fui morar em Vitória do Espírito Santo. Quando lá cheguei fui logo procurar uma academia e foi quando conheci o mestre Luiz Paulo, na época do Grupo Senzala, e foi uma nova fase no meu aprendizado. O Mestre saiu do Senzala e foi para o Capoeira Brasil, e eu segui-o sempre. Decorreram mais alguns anos e decidi voltar para Recife, onde encontrei antigos amigos e continuei a treinar. Nesta época os meus pais mudaram-se para Barra de Jangada, e havia treinos no centro social do bairro, com a Escola Brasileira de Capoeira, onde fiz novos amigos e continuei a jogar até vir a Portugal, onde resido até hoje.

Quando cheguei fiz apresentações em bares, feiras, e eventos em que era solicitado, trabalhei em centros sociais a ensinar Frêvo e Capoeira e o trabalho começou a crescer. Foi então que decidi ir ao Brasil para me actualizar, no reencontro com os amigos filiei-me definitivamente na Escola Brasileira de Capoeira e trouxe juntamente outros professores para Lisboa para começarmos a trabalhar. Foi um novo período de adaptação e, ano e meio depois, já não me encontrava filiado à Escola devido a algumas divergências.

Foi então que, com a ajuda do Mestre João Mulatinho, fundei o Grupo Capoeira Alto Astral, e tenho vindo a desenvolver um trabalho em Lisboa e arredores. É um trabalho novo mas que conta com a força de muitos amigos e alunos, família e outros grupos de capoeira, que travam e passam seus conhecimentos. E nas aventuras e desventuras, eu, como capoeirista, vou caindo e levantando e não há aquele que não caia, é parte do aprendizado e cada vez amo mais a capoeira por ser a única que está do meu lado nos bons e maus momentos.

Está aí um pouco da minha história, e sei que muito ainda terei a escrever, e que sejam boas estas histórias.

Axé a todos!!!

Mestre Marco António do Grupo Capoeira Alto Astral.