Sobre Capoeira

BREVE HISTÓRICO DA CAPOEIRA

Os escravos negros começaram a ser trazidos para o Brasil por volta do ano de 1548, como forma de substituir o povo nativo (Índios), pois estes não tinham muita capacidade para o trabalho forçado e poucos resistiam ao cativeiro. Nos três séculos seguintes seriam predominantes os povos do tronco linguístico banto, do qual faz parte a língua quibundo. Eram estes os angolas, benguelas, moçambiques, cabindas e congos, grupos étnicos antes rivais que se uniram contra a escravidão. Assim, e aproveitando os seus conhecimentos de técnicas de corpo, criaram um misto de dança/luta chamada capoeira. Os lugares de refúgio onde se encontravam Índios, Negros e até brancos eram chamados de Quilombos, onde desenvolviam técnicas de guerrilha e onde as culturas se uniam ainda mais.

Tempos mais tarde, com a abolição da escravatura (assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel), e a ida do negro agora alforriado para as cidades, unindo-se com os ex-escravos de ganho dos centros urbanos, a capoeira passava a ser relacionada com uma arte de arruaceiros e foi o grande terror para o império, sendo proibida de ser praticada. Como forma de punição levaria até 300 açoites e calabouço aquele que fosse apanhado na prática da capoeiragem.

Nas cidades portuárias do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, a capoeira passa por uma nova fase. No Rio, os capoeiras eram o braço armado dos dois maiores partidos da época. Foi assim que os Nagoas e os Guaiamuns se ligaram, respectivamente, ao partido Conservador e liberal (Monarquistas e Republicanos), e eram usados como forma de acabar com os comícios e festas do partido rival. No entanto, tempos depois, com a vitória dos liberais, a perseguição aumentou e as gangues de capoeiras foram desmanteladas.

Em Recife as maltas enfrentavam-se nas datas festivas diante de bandas militares ou procissões, misturando brincadeira e violência. Os mais perigosos não se expunham tanto, mas eram bons de faca, porrete e navalha.

Com o tempo e a perseguição da polícia, a capoeira deu lugar ao Frevo, dança típica do carnaval Recifense na qual a capoeira teve grande influência na criação dos seus passos. Em Salvador os negros fizeram várias revoluções pois eram a massa de excluídos da sociedade e a grande maioria da população. As falanges foram desorganizadas pela convocação da guerra do Paraguai, e ainda como forma de desencorajar a prática da capoeiragem. Assim, todo aquele que fosse apanhado praticando capoeira seria deportado para a Ilha de Fernando de Noronha, sendo submetido a trabalhos forçados. No entanto, a Bahia era, e é, até hoje, o berço da cultura afro-brasileira, fazendo com que na época a capoeira encontrasse refúgio em lugares de difícil acesso para a polícia, mantendo-se viva e continuando a ser praticada, juntamente com o candomblé e outras manifestações afro-brasileiras. Criou-se assim, uma nova forma de praticar a capoeira, o gingado, os movimentos e a musicalidade foram sofrendo mudanças com o passar dos tempos.

Mestre BimbaA viragem na prática da capoeira deu-se tempos depois, por volta de 1930, com o surgimento da Luta Regional Baiana. O seu criador, Manuel dos Reis Machado, mais conhecido como o Mestre Bimba, criou uma nova forma de praticar a capoeira, definiu métodos de aprendizagem, postura e ética tentando desvincular a capoeira como uma arte praticada só por malandros, ele exigia dos seus alunos o boletim escolar e prova de trabalho. Foi numa exibição para, o então Presidente da República, Getúlio Vargas, que este, ao ver na capoeira a verdadeira luta Brasileira, legalizou a sua prática desde que fosse em recinto fechado e com o aval da autarquia.

Sendo criada a capoeira Regional pelo Mestre Bimba, os praticantes de capoeira que não tinham vínculos com o Mestre, deram o nome de capoeira Angola à ‘outra’ capoeira. Como defensor das suas tradições e responsável pela Capoeira Angola foi escolhido Vicente Ferreira Pastinha, conhecido na capoeiragem como Mestre Pastinha.
Hoje em dia, a capoeira é praticada nas ruas, praças, escolas, Universidades e forças militares e vem ganhando cada vez mais adeptos no exterior, sendo praticada como luta, folclore, dança e acima de tudo respeitada como o símbolo da liberdade de um povo.

A CAPOEIRA NO MUNDO

A capoeira é hoje praticada em vários Países do mundo, é uma arte em grande desenvolvimento, símbolo de união entre diferentes povos e raças. Vale a pena lembrar que todos os que a praticam aprendem as músicas, a história e toda a cultura que envolve esta arte, em Português, fazendo da capoeira um grande veículo de divulgação da língua portuguesa e da história que envolve o Brasil, África e Portugal.

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