Danças

– Danças Afro –

Maculêlê

Até os dias de hoje não se encontrou uma concordância entre os historiadores sobre o surgimento do maculêlê, tanto na sua prática como folguedo, comemoração religiosa/ritual ou mesmo como luta. Sendo praticado até hoje por grupos folclóricos e em especial por muitos grupos de capoeira. O maculêlê e as suas origens têm muitas teorias em relação ao seu surgimento. Uma delas baseia-se numa lenda que conta que uma tribo foi atacada pelos seus vizinhos rivais e que um único guerreiro que se encontrava na aldeia, impedido de ir à caça pelos demais pela obrigação dos seus deveres para com os deuses, fez-se armar com dois pedaços de pau e expulsou o inimigo. A outra teoria defende que o maculêlê já existia em África, caracterizando-se por ser uma dança/luta guerreira, usada na defesa contra os opressores. Depois de escravizados e levados para o Brasil, os povos integraram esta prática na cultura brasileira, sendo prática habitual no Nordeste de Amaralina como agradecimento à Padroeira as colheitas de cana de açúcar.

Puxada de Rede

“Chega negro vem dos gritos dos senhores, chamando os negros escravos para puxarem as redes na pescaria do xareu”. A rede tecida durante cinco meses, mil metros de corda, bóias de pau de jangada e chumbada, tomando a malha um banho da casca de cajueiro, as jangadas levam-na ao mar, desenhando um semi-círculo à espera dos enormes cardumes entre os meses de abril e outubro. Os homens, em jeito de ritual, puxam a rede para a praia, ajudados pelas mulheres e filhos, enquanto entoam cânticos de louvor e agradecimentos, pedindo também sorte e fartura.

Samba de roda

Grande parte da história das danças tradicionais brasileiras são heranças entre gerações, através do depoimento verbal. Segundo os nossos antepassados, o Samba é oriundo da Bahia e a palavra tem origem no vocábulo “sam” que  significa “pague” e “ba” que significa “receba”, chamando assim a paternidade do samba aos bahianos, datado do fim do primeiro império. Até esta época só existiam o jongo, o batuque e o cateretê e, mais tarde, o fado. No entanto, foi o samba que se perpetuou e desenvolveu, tornando-se na imagem de marca do Rio de Janeiro. Por outro lado, acredita-se que a palavra samba venha do semba (sinónimo de umbigada em Luanda).
Com base nosregistos de Alfredo de Sarmento (“Os Sertões d’África – Apontamentos de Viagem”, 1880), pode-se depreender que o Samba de Roda é a forma mais antiga de se sambar.

– Folclore do Nordeste –

Caboclinhos

É talvez a dança mais antiga do Brasil, o cablocinho foi registado pela primeira vez em 1584  pelo Padre Fernão Cardim, no seu livro “Tratado e Terra de Gente Brasil”. Terá sido no contexto das missões organizadas pelos catequistas, quando os curumins (crianças) lhes apresentavam as danças indígenas. Caboclinho é uma dança indígena, cujo nome é originário do vocábulo caboclo, palavra utilizada para designar o índio ou, no máximo, o cruzamento de índio com branco. Caboclinhos são, assim, os filhos dos caboclos.
Como folguedo, representa, com música e dança que lhes são características, um drama que simboliza batalha, caça e colheita. A música leve e ligeira é executada por pífaros, surdos e maracás, com reco-reco e ganzás que, eventualmente, poderão fazer também parte. A marcar o ritmo, os dançarinos utilizam as “preacas”, um conjunto de arco e flecha, que sob um sistema de tensão emitem um som seco e marcado com o ritmo da música.

Ciranda

A ciranda segundo alguns historiadores é originária de Portugal, das suas cortes e, só mais tarde, começou a ser observada no Brasil, a partir da zona norte de Pernambuco, sobretudo no município de Goiana, propagando-se por todo o Nordeste brasileiro. A ciranda é um misto de canto e dança, brincadeira e diversão. As pessoas, todas de mãos dadas, formam uma roda e através dos movimentos balançados fazem lembrar o mar.

Côco

Muitas são as teorias que tentam desvendar a origem do coco, contudo a que reúne maior unanimidade é a que defende que esta dança tenha nascido espontaneamente dos negros de Palmares (local para onde iam quando fugiam das senzalas). Quando queriam partir a dura casca do coco, colocavam-no sobre uma pedra e nele batiam repetidamente. E muitos se juntavam para partirem os cocos, provocando assim uma grande barulheira, e no meio desta agitação aparecia quem começasse a dançar, fazendo com que se tentasse unir as batidas do quebrar das cascas facilitando a coreografia dos primeiros passos, juntamente com cantilenas, o que acaba rapidamente numa animada festa.
Ao ser levado para as senzalas, o ritmo do quebrar dos cocos foi substituído pelas palmas, e passou a ser dançado aos pares, com uma grande influência indígena que ainda hoje é possível observar nos seus passos. Passaram-se os tempos e o coco era e é dançado pelos trabalhadores das zonas rurais e das regiões do litoral. Uma cultura reservada, cheia de alegria e cor, envolta com o seu sapateado e lindas coreografias.

Forró

A mistura de instrumentos como a sanfona, zabumba e do triângulo garante a tradição e o ritmo dos povos de Pernambuco para a época Junina. A música narra acontecimentos do dia a dia no interior do Estado, e dançando-se a pares a festa segue entra pela noite dentro. É comum observar-se a representação de personagens com bonecas confeccionadas em pano, satirizando e divertindo ainda mais a festa. O nome forró de “for all”, o que em inglês significa “para todos”.

Frêvo

Recife 1896, Qusando a Banda da Guarda Nacional despontou na rua, a torcida já esperava ansiosa, para eles, naquele final de Século, não poderia haver banda de música mais afinada nem repertório mais animado. No final da rua porém, estava a torcida da Banda do 4º Batalhão, que pensava exatamente o mesmo da sua banda. Mesmo à distância, como velhos inimigos que eram, uns e outros trocavam olhares poucos amistosos. Abrindo caminho à frente das bandas os “Capoeiras” negros libertos, pulavam e saracoteavam ao som da música tocada, armados com porretes (pedaçõs de pau/bengala) ou velhas sombrinhas que, em caso de choque com o adversário, lhe garantiam condições de se defender e por que não dizer. De atacar também. Houve uma ocasião que surpreenderam um grupo rival quando furaram os bombos da sua banda, o que desencadeou numa luta feroz que por pouco não terminou em morte…
Recife 1996, os dobrados tocados pelas Bandas Militares, tão populares no século XIX, evoluiram para o vibrante Frevo, tipicamente Pernambucano. Dos passos desenvoltos dos “Capoeiras” a frente das bandas nasceu os primeiros passos de Frevo, juntas musicas e dança formam um espetáculo de rara beleza. As sombrinhas de Frevo, que hoje servem de equilíbrio e adorno, em nada lembram os porretes originais dos capoeiras. São coloridas e pequenas, dando um ar de sua graça e beleza ao passista que a conduz. A palavra Frevo nasceu da lingua popular e tem origem no vocábulo “ferver” (alguns pronunciavam “frever”), significando fervura, agitação.

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