Caxixi, Reco-Reco e Agôgô

Caxixi

Considerado por muitos como uma das partes do Berimbau, é, no entanto, um instrumento complementar ao toque do mesmo. Mestre Pastinha considera, no livro “Capoeira Angola”, o Caxixi como sendo uma cestinha delicada, feita de vime, com sementes secas no seu interior.

Trata-se mesmo de um instrumento feito de palha ou vime, tendo como base um pedaço de cabaça recortada de forma circular, que recebe de sete a nove furos onde passará o vime amolecido em água, que depois será trançado até adquirir forma. Antes de se finalizar o trançado, dependendo da época e do gosto do Capoeirista, são introduzidas sementes que podem ir de milho, lágrima de nossa senhora, olho de cabra, conchas, pedrinhas e sementes de bananeira-do-mato, fazendo com que o resultado sonoro dependa do tipo de semente utilizada. Não se tem a certeza da origem do vocábulo, no entanto alguns especialistas acham que o nome vem de uma forma anomatopaica, ou seja, vem do som do próprio instrumento.
A sua origem ainda é discutida, não se tendo ainda certeza da sua natureza. Existem vários instrumentos com a mesma característica em África, dando a alguns a ideia de que tenha sido recriado pelos escravos africanos bantos, procedentes de territórios das actuais repúblicas de Angola e do Zaire.

De outra forma, acredita-se que, existindo instrumentos idênticos entre a cultura indígena brasileira, e sabendo que os africanos e seus descendentes brasileiros tiveram muita convivência com os nossos índios, tanto nos quilombos quanto em outros locais, tenha existido aí uma readaptação do chocalho indígena.

Caxixi: Instrumento idiófono (sacudido), cestinha feita de vime entretecido, no fundo do instrumento está preso um pedaço de cabaça, que serve como base e para ampliar o som das sementes silvestres que, ao serem sacudidas, batem no fundo do tampo (base) ou nas paredes de vime, dando qualidade sonora. Estas sementes geralmente são retiradas da bananeira brava.

É usado para apoio e acompanhamento rítmico de vários géneros musicais folclóricos, sendo um instrumento complementar do Berimbau.

Emília Biancarde, Raízes Musicais da Bahia.

Reco-Reco

Conhecido também como Ganzá ou Querequexé, o Reco-Reco, segundo o novo dicionário de língua portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda, é um instrumento de percussão, que produz um ruído rascante e intermitente, quando duas partes separadas são colocadas em atrito.
Da família dos raspadores, o reco-reco encontra-se em vários países da América Latina, em Portugal e Espanha. Os índios brasileiros também o possuem.

Diz-se que anteriormente era feito com uma cabaça com forma alongada, e depois de sofrer alguns cortes não muitos profundos, um a seguir ao outro, era friccionada por uma varinha de modo a emitir o som. Hoje em dia o seu feitio mais conhecido é o de um gomo de bambu, que recebe o mesmo tratamento da cabaça, sendo esta característica proveniente da Bahia.
Não se sabe ao certo quando e como o Reco-Reco foi introduzido na capoeira. No livro Raízes Musicais da Bahia, Emília Biancarde diz que o mestre João Grande, depois de consultado sobre o assunto, refere a sua introdução na bateria de capoeira após a criação das academias de Mestre Bimba e Pastinha, não se lembrando com exactidão se o mesmo estava ou não presente nas rodas do jogo, antes da criação dessas entidades.

Agôgô

O termo Agôgô pertence a língua Iorubá, e vem de Akokô, que quer dizer “sino”. Um instrumento feito de ferro, onde uma alça apoia dois cones de tamanhos diferentes, e que quando percutidos através de uma baqueta, emitem sons próprios.

Vindo não se sabe ao certo de que povo africano, é integrado para além da orquestra da capoeira, no ritual das danças e das músicas dos Orixás, sendo para o Candomblé o que o Berimbau é para a Capoeira, ou seja, o instrumento que define os toques e ritmos a serem tocados. É igualmente usado nas folias de maculelê.

Da família dos instrumentos idiófonos percutidos, é frequentemente usado no Brasil, ganhando um cunho profano, sendo tocado nas festas carnavalescas, nos folguetos populares ou pelos grupos folclóricos.

Alguns capoeiristas antigos acreditam que o seu uso na capoeira tenha sido introduzido nas academias dos Mestres Canjiquinha e Pastinha, não havendo registros da sua presença anterior na luta. A base do toque do Agôgo é a do ritmo Isexá, tentando não desenvolver variações no ritmo. É um instrumento que está presente na bateria da capoeira Angola.