Atabaque

O termo atabaque, segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, vem da palavra árabe “at-babaq”, que significa prato.
É um instrumento de forma cónica – cilíndrica, feito normalmente de madeira de lei, como o Jacarandá, pinho, cedro ou mogno. Esta madeira é cortada em ripas (lâminas) e juntas umas às outras, para logo depois serem aquecidas e receberem um aro de ferro, juntamente com cintas, que servirão para moldar as lâminas e definir o formato da caixa de ressonância.
Sendo um instrumento membrafônico, percutido, deve receber um pedaço de couro de boi bem curtido e muito bem esticado para que se possa ter o melhor som possível. A afinação do atabaque é feita através de um sistema de cordas (encordamento), que estão trançadas umas nas outras e ligam dois aros independentes: o da parte superior, que exerce pressão sobre o couro, e o aro da parte inferior, de onde 5 ou 6 cunhas, depois de receberem umas pancadas, irão tencionar as cordas de maneira uniforme, fazendo com que o instrumento, quando percutido, vibre da melhor forma.

A sua origem passa pelo mundo árabe e persa, sendo muito conhecido em toda a região de África. Foi introduzido no continente europeu, assim como o pandeiro, pelos mouros, quando da invasão na Península Ibérica.

Ficou bastante conhecido através do seu uso nas cortes de Portugal e Espanha, obtendo, porém, mais destaque nesta segunda, quando das obras dos Reis católicos, Isabel e Fernão de Aragão, que, segundo consta, incluíam tocadores de atabaques entre os músicos da sua corte.

Apesar do povo africano ter o conhecimento deste instrumento, este foi introduzido primeiramente no Brasil pelos Portugueses, que os utilizavam nas festas religiosas. Por sua vez, os africanos recriaram-nos de uma forma menor.

O atabaque foi sendo usado nas festas religiosas católicas, de seguida deu-se o seu aparecimento nas festas religiosas e profanas afro-brasileiras, não sendo usual a sua utilização nas rodas de capoeira.

Não se sabe ao certo como foi introduzido na capoeira, porém muitos Mestres são da mesma opinião de mestre Bimba, que acreditava que a capoeira era jogada ao som de um tambor de tamanho médio.

Hoje em dia, fora das suas funções religiosas, como dos terreiros de candomblés, o atabaque exerce igualmente um papel importante, não apenas na capoeira mas também no samba, maculêlê e nos afoxés.

Como nos berimbaus, as sonoridades dos atabaques também podem ser classificadas:

Rum: de tamanho maior e som mais grave.

: de tamanho médio e som médio.

: de tamanho médio a pequeno e som mais agudo.

Actualmente, encontra-se mais a utilização do atabaque Rum, sendo este introduzido no conjunto instrumental da capoeira a partir do folclore cénico, feito nos teatros por grupos parafolclóricos da Bahia, a partir da década de 60.