Indumentária

A indumentária utilizada hoje em dia representa, de forma autêntica, toda a diversidade da capoeira, pois dependendo do praticante e estilo no qual este se encontre inserido, a indumentária adopta diversas características. Antigamente, as maltas de capoeiras do Rio de Janeiro, os brabos do Recife e os Valentões da Bahia, usavam calças folgadas, com boca de sino, que poderiam chegar até 28cm, cobrindo o pé todo. Utilizavam também chapéu, camisa, gravata, e ainda um lenço de seda amarrado ao pescoço, como forma de manter a camisa limpa do suor, e proteger o capoeira contra golpes de navalha, na medida em que esta não consegue cortar a seda.
No entanto, também na Bahia, devido à proibição da capoeira, os capoeirístas, que na sua maioria trabalhavam no cais do porto como estivadores, não querendo serem identificados, usavam os trajes diários, existindo, é claro, algumas excepções. Normalmente usavam calças comuns, arregaçadas, camisas folgadas, tipo abadá (vestes africanas, utilizadas pelos escravos, feitas de saco de açúcar ou farinha de trigo), andavam normalmente descalços ou calçados com chinelos de couro. Porém, aos Domingos, muitos usavam seus melhores trajes, calça e palitó (fato) de linho branco, camisa branca, sapato tipo bico fino, muitas vezes bicolor. Outros ainda, usavam um brinco de ouro na orelha esquerda, como símbolo da sua valentia. Alguns historiadores acreditam que este costume tenha sido herdado dos Angolanos.
Dr. Decânio, ilustre discípulo de Mestre Bimba, defende a origem baiana, portuária e recôncava da capoeira. Diz também que devido à proximidade que os capoeiras tinham dos marujos, adoptavam em parte a sua forma de vestir. Contudo, esta relação foi também de muitos conflitos. Os marujos utilizavam calças boca de sino, como forma de, em caso de emergência, durante um naufrágio, poderem tirá-la rapidamente, dando vários nós nas extremidades, transformando-as em bóia. Para os capoeiras, para além de serem convenientes para os seus movimentos, a calça boca de sino, servia também como forma de esconder armas brancas, como a navalha ou a faca. Sabe-se que uma das formas que a polícia tinha de abordar um suspeito, e de o coagir, era atirar um limão para dentro das suas calças, e se o limão caísse ao chão, prontamente era aplicada a conhecida Ceia dos Camarões.

Indumentária na Capoeira Regional
Na Luta Regional Baiana (Capoeira Regional), Mestre Bimba aboliu o uso dos sapatos, adoptou a indumentária onde era predominante a cor branca, herdado do hábito domingueiro de muitos capoeirístas, que diziam que o bom capoeira era aquele que terminava um jogo sem sujar a roupa. O branco também tinha o significado de ser a cor das vestes dos antigos escravos. Segundo depoimentos de muitos dos seus discípulos, Mestre Bimba era muito rigoroso com a higiene dos seus alunos. Mestre Zoião, aluno de Mestre Bimba, no seu livro “Arte da Capoeira”, comenta, “ai de quem comparecesse na aula de uniforme sujo”.

Indumentária na Capoeira Angolacapoeira_indum
No movimento da Capoeira Angola, foi Mestre Pastinha o grande responsável pela criação de uma uniformização. Adoptou para a Capoeira Angola as cores do seu time do coração, o Ypiranga, passando os seus alunos a vestirem calças pretas e camisa amarela, sendo obrigatório o uso do calçado. Em apresentações feitas na sua academia, onde os seus alunos representavam pequenas cenas teatrais, e local onde o público delirava com sua tradicional roda de capoeira, era comum os seus alunos trajarem camisas de cores lisas e estampadas, tendo como detalhe um nó na altura da cintura.

Indumentárias Actuaiscapoeira_indum2
Com o avanço da tecnologia, novos tipos de tecidos apareceram no mercado, a chamada elanca, uma malha resistente e de boa elasticidade, foi adoptada por muitos grupos de capoeira. Alguns grupos de Capoeira Regional da Bahia, passaram a usar cores diferentes de calças, para cada ocasião, definindo uma cor para o treino, outra para a roda e apresentações, e ainda uma para quando forem fazer visitas a outras academias. Outros, ainda mantêm unicamente a cor branca. O nome abadá, que antigamente referia-se apenas à longa veste branca dos negros, passou também a denominar a calça que hoje em dia é utilizada na capoeira. As malhas de várias cores, conhecidas em alguns grupos como calça de passeio, que são utilizadas para rodas de ruas, apresentações e para uso informal fazem também parte da indumentária dos dias de hoje. O modelo adoptado pelos grupos modernos, é uma calça com cintura baixa, sem elástico, moldada ao corpo, e com boca de sino, lembrando a tradição das conhecidas maltas.
Já na capoeira Angola, continua-se a utilizar a indumentária preta e amarela, no entanto, muitos grupos, costumam, utilizar calça e camisa brancas, ou ainda calça preta e camisa branca, diversificando ainda mais a capoeira. Existem ainda os praticantes da chamada capoeira de rua, que não adoptam na sua maioria nenhum tipo oficial de indumentária, misturando um pouco de cada, daquilo que já existe.

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